Toda manhã, A acorda em um corpo diferente, em uma vida
diferente. Não há qualquer aviso sobre quem será ou onde estará em seguida. De
menina a menino, rebelde a certinho, tímido a popular, saudável a doente; A
precisa se adaptar.
Já se acostumou com isso e até criou algumas regras para
si. Primeira: nunca se apegar; segunda: jamais interferir. E tudo corre bem...
até que A desperta no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon.
A partir desse momento, as regras pelas quais tem vivido
não fazem mais sentido. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer
ficar; dia após dia, todo dia. Mas como esperar que uma pessoa que sempre viveu
uma vida normal possa entender a realidade de A? Ou até mesmo acreditar
nela?
Enquanto lutam para se reencontrar a cada a cada 24 horas,
ambos precisam enfrentar seus próprios demônios, superar suas limitações e
redefinir suas prioridades. Rhiannon conseguirá ficar com alguém que muda a cada
dia? E até onde A acha justo (ou ético) interferir nas vidas de quem habita?
Mas, principalmente, o amor pode mesmo vencer qualquer barreira?
Esse livro é de uma criatividade enorme. Ao ler o resumo fiquei
super curiosa pra ler e entender como A vive mudando
de corpo em corpo e como o autor iria desenvolver tal história. E posso afirmar:
ele me surpreendeu a cada página!
A acorda a cada manhã num corpo
diferente. Pode ser homem ou mulher. Pode ser atleta ou drogado. Pode ser
saudável ou doente. Gordo ou magro. Branco ou negro. Hétero ou gay. A cada
despertar ele tem de acessar as lembranças do corpo que está habitando e viver
da melhor maneira possível para não causar problemas a seu hospedeiro. Ele tenta
fazer o melhor que sabe e podemos perceber que A é um
cara legal e ético. Ele tenta interferir o mínimo possível na vida da pessoa que
ele será nesse dia. A não ser no dia em que habita o corpo de Justin e conhece
Rhiannon... Nesse dia, A resolve ser ele mesmo e ter
um dia diferente.
Rhiannon desperta em A um lado
protetor que ele não sabia existir. Ele consegue ver a fragilidade e o modo como
ela deseja a atenção e carinho de Justin e resolve dar isso a ela. Eles tiram a
tarde para ir ver o mar e conversar e se beijar. Uma tarde mágica que mexe com
A e o faz desejar mais da vida que leva do que sabe
ser capaz de ter. Mas como manter um relacionamento se ele não sabe onde vai
estar e quem vai ser no dia seguinte? E, mais importante, como convencer
Rhiannon de que ele é A, um ser com personalidade
própria, mesmo estando em corpos diferente todos os dias?
Eu adorei o modo como David vai nos conduzindo pela história de
amor entre A e Rhiannon através dos dias. Em cada
pessoa que A habita há uma lição, uma vida, um corpo e
uma vontade que A precisa conhecer e vivenciar.
A muda muito depois de conhecer Rhiannon e começa a
interferir na vida dos hospedeiros na vontade de ficar perto da amada. Mas nem
sempre é possível o encontro entre eles e nem sempre é fácil para Rhiannon
aceitar as mudanças, mesmo reconhecendo A a cada dia e
a cada corpo.
A é um narrador maravilhoso e os
insights que ele nos dá são incríveis. As questões que ele levanta são as que
sempre pensamos: quem somos? Mente ou corpo ou alma? O que nos torna indivíduos?
Impossível não se apaixonar por essa história de amor tão diferente e delicada
e por esses personagens tão envolventes. Impossível não se envolver nos
questionamentos levantados e não deixar a mente viajar na leitura. Um livro
para ser lido e relido.











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