Na estante do Chá - Cidade de Ladrões

O Chá tem tanta resenha que nem dá para contar! Já comentamos tantos livros que os leitores nem imaginam!

Nas nossas resenhas, já apareceram novidades que estão sendo publicadas agora, raridades que continuam na moda, e livros tão sensacionais que merecem ser lembrados a todo momento.Como tudo é que é bom tem que se repetir, o blog traz de volta resenhas de sucesso, para que os leitores tenham a oportunidade de ler ou reler histórias que já pintaram por aqui.Quem já leu, pode aproveitar para lembrar. Quem não leu, fica com a dica imperdível de mais um livro inesquecível!

E pensando nas postagens antigas lembrei de um livro despretensioso que li em 2009, e que me marcou muito, republico:

Cidade de Ladrões - David Benioff

"- Foi há muito tempo - disse ele. - Eu não me lembro de que roupa estava usando. Eu não me lembro se havia sol.

- Só quero ter certeza de pegar todas as informações certas.

- Você nunca vai conseguir fazer isso.

- É a sua história. Não quero avacalhá-la.

- David...

- Algumas coisas ainda não fazem sentido para mim...

- David - disse ele. - Você é escritor. Invente."
Imagine:

Um inverno rigoroso, fome severa, uma guerra.

Sua família exilada em uma cidade tomada pelo inimigo. Sua própria cidade sitiada pelo maior exército que se tinha notícia até então.

Você preso, prestes a ser executado.

E um General te concede a possibilidade de se salvar, se encontrasse, neste cenário, uma dúzia de ovos, para o bolo de casamento da filha dele.

Esse é o argumento de Cidade de Ladrões, que narra uma semana na vida do adolescente russo, Lev, preso por saquear o corpo de um piloto alemão caído morto em frente de seu apartamento em Leningrado, se depara com um general da polícia secreta da Rússia, que o coloca numa encruzilhada, ou encontra uma dúzia de ovos para a festa da filha dele, ou morre.

É uma aventura!

Não espere uma história romanceada, ou que a situação de Leningrado, e principalmente das pessoas pressionadas pelo cerco e pelas batalhas de vida ou morte seja levada de forma irresponsável, ou irreal. Nada disso!

O texto, muito bem escrito em primeira pessoa, trata de maneira crua os fatos que ocorreram durante aquele período, e na visão de um adolescente que de uma hora para outra se vê sozinho na cidade, tendo que enfrentar o frio, a fome, a perda dos amigos, e a barbárie de muitos, a loucura de outros, e os privilégios de poucos.

Mostra, ainda, os limites do ser humano, e quando ocorre a perda desses mesmos limites, a linha tênue entre o certo e o errado, principalmente diante de decisões tão complexas quanto as tomadas em tempos de guerra.

Também não espere uma história triste, marcada pela morte e pelo desespero, tão comuns em romances que tratam da Guerra, essa é a aventura de Lev, que conhece seu melhor amigo, Kolya – um desertor – nessa empreitada, como também a mulher de sua vida.

Essa dupla, Lev e Kolya, se vê em diversas situações engraçadas e outras tantas inusitadas, que a leitura se torna leve, mesmo em meio a insensatez do conflito.

Um livro sobre a amizade. Sobre o amor. Sobre medo, desespero, honra, garra, coragem, e principalmente, sobre o amadurecimento de alguém que no turbilhão da história, tem que se esquecer dos seus temores, de seu passado, sua origem, e aprender a confiar, amar, e a agir com bravura.
Cidade de ladrões me surpreendeu de maneira muito positiva, me vi envolvida na história, temendo, amando, torcendo, chorando e me enraivecendo com tantos desatinos cometidos pelo homem...
Deixou em mim diversas perguntas: será que nunca aprenderemos a tolerar a diferença? Que nunca veremos nos outros aquilo que somos? Que nunca deixaremos de nos prevalecer de nossa posição (social, histórica, cultural) em detrimento de toda a humanidade? Será que o mais forte não vê no mais fraco um irmão?

Deu para perceber que me envolvi realmente na trama. É verdade, Kolya com sua graça, sua bravura, impertinência e audácia se tornou meu amigo. Lev com seus medos, dúvidas, angústias, desconfianças, lealdade, inteligência e coragem, também! Duas faces da mesma moeda, duas faces do ser humano, duas metadas, que formam um ser completo!

8 comentários:

Aline disse...

Oi, Dri,

Há tanto tempo quero ler esse livro, e ele sempre vai ficando para trás... Vou passar para a frente da fila! Ótima lembrança.

Bjs

Fernanda - Trilhas Culturais disse...

Oie...que capa interessante deste livro..me lembra de outro livro que no momento não recordo o nome. Interessante historia.. .;)

Patricia Cardoso disse...

Olá Dri,

relendo essa resenha, me despertou o interesse em ler este livro, ando umltimamente lendo livros que me tiram do sério, e acredito que esse com certeza fará isso. Valeu resenha! Bjs...

RUDYNALVA disse...

Dri!
Essa idéia de trazer as resenhas antigas é fantástica!
Principalmente porque os livros de dois anos atrás já estão 'esquecidos...'.
Parabéns!
cheirinhos
Rudy

Driza disse...

Dri,

tão bom reler essa resenha e relembrar sobre esse livro!

bjss

Jeanne Rodrigues disse...

Dri,

não lembrava dessa resenha.

Foi ótimo colocar mais um livrinho na lista..risos...

E ver o quanto vc escreve bem.

Bjos,

Adriana disse...

Eu não conhecia esse livro, a história é diferente, lendo a resenha já fiquei imaginando td que pode acontecer com esse jovem num lugar em guerra e que ele tem que encontrar ovos!! Vou procurar esse livro, pq a história me interessou! Bjo!

Adriana disse...

Queridas! É muito bom relembrar boas histórias, e essa foi marcante pra mim!

Espero que se animem e dêem uma lida nesse texto que é MUITO interessante!

Bj e obrigada pelos comentários!

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