Cidade de Ladrões


"- Foi há muito tempo - disse ele. - Eu não me lembro de que roupa estava usando. Eu não me lembro se havia sol.

- Só quero ter certeza de pegar todas as informações certas.

- Você nunca vai conseguir fazer isso.

- É a sua história. Não quero avacalhá-la.

- David...

- Algumas coisas ainda não fazem sentido para mim...

- David - disse ele. - Você é escritor. Invente."
Imagine:
Um inverno rigoroso, fome severa, uma guerra.

Sua família exilada em uma cidade tomada pelo inimigo. Sua própria cidade sitiada pelo maior exército que se tinha notícia até então.

Você preso, prestes a ser executado.

E um General te concede a possibilidade de se salvar, se encontrasse, neste cenário, uma dúzia de ovos, para o bolo de casamento da filha dele.

Esse é o argumento de Cidade de Ladrões, que narra uma semana na vida do adolescente russo, Lev, preso por saquear o corpo de um piloto alemão caído morto em frente de seu apartamento em Leningrado, se depara com um general da polícia secreta da Rússia, que o coloca numa encruzilhada, ou encontra uma dúzia de ovos para a festa da filha dele, ou morre.

É uma aventura!

Não espere uma história romanceada, ou que a situação de Leningrado, e principalmente das pessoas pressionadas pelo cerco e pelas batalhas de vida ou morte seja levada de forma irresponsável, ou irreal. Nada disso!

O texto, muito bem escrito em primeira pessoa, trata de maneira crua os fatos que ocorreram durante aquele período, e na visão de um adolescente que de uma hora para outra se vê sozinho na cidade, tendo que enfrentar o frio, a fome, a perda dos amigos, e a barbárie de muitos, a loucura de outros, e os privilégios de poucos.

Mostra, ainda, os limites do ser humano, e quando ocorre a perda desses mesmos limites, a linha tênue entre o certo e o errado, principalmente diante de decisões tão complexas quanto as tomadas em tempos de guerra.

Também não espere uma história triste, marcada pela morte e pelo desespero, tão comuns em romances que tratam da Guerra, essa é a aventura de Lev, que conhece seu melhor amigo, Kolya – um desertor – nessa empreitada, como também a mulher de sua vida.

Essa dupla, Lev e Kolya, se vê em diversas situações engraçadas e outras tantas inusitadas, que a leitura se torna leve, mesmo em meio a insensatez do conflito.

Um livro sobre a amizade. Sobre o amor. Sobre medo, desespero, honra, garra, coragem, e principalmente, sobre o amadurecimento de alguém que no turbilhão da história, tem que se esquecer dos seus temores, de seu passado, sua origem, e aprender a confiar, amar, e a agir com bravura.
Cidade de ladrões me surpreendeu de maneira muito positiva, me vi envolvida na história, temendo, amando, torcendo, chorando e me enraivecendo com tantos desatinos cometidos pelo homem...
Deixou em mim diversas perguntas: será que nunca aprenderemos a tolerar a diferença? Que nunca veremos nos outros aquilo que somos? Que nunca deixaremos de nos prevalecer de nossa posição (social, histórica, cultural) em detrimento de toda a humanidade? Será que o mais forte não vê no mais fraco um irmão?

Deu para perceber que me envolvi realmente na trama. É verdade, Kolya com sua graça, sua bravura, impertinência e audácia se tornou meu amigo. Lev com seus medos, dúvidas, angústias, desconfianças, lealdade, inteligência e coragem, também! Duas faces da mesma moeda, duas faces do ser humano, duas metadas, que formam um ser completo!

8 comentários:

Lili disse...

Ai, não quero ainda ler seu comentário Dri! Pois vou receber em breve o livro...Só me diz uma coisa vc gostou muito? rsrs
Se puder só me diz isso rsrs

bjs
Lili

Vivi Bastos disse...

Esse parece ser um livro que chama pela qualidade promissora do enredo. Comprei-o e já está nas minhas pretensões futuras de leitura. Seus comentários demonstram nitidamente o quanto o livro repercutiu em seu espírito. E livros que marcam merecem crédito.

Valeu, Dri!

Beijos

Jeanne Rodrigues disse...

Dri,

Depois do seu post, tenho que adquirir esse livro..
Super empolgante...

Bjos,

Regina disse...

Muito interessante!!! Seu post realmente me deu vontade de ler esse livro! E seus questionamentos são muito pertinentes e atuais, pois passam-se os anos e as barbáries continuam as mesmas...

Obrigada pela indicação!

bjs

Regina

Driza disse...

Oi Dri,
Adorei o post e tenho certeza que adoraria esse livro peculiar.
bjs

Driza

Adriana disse...

Lili, sim, gostei muito do livro, de um jeito diferente...me tocou fundo. Pode ler o post, pois não tem spoiler..rs!
Vivi, é uma história diferente, como a Driza colocou, bem peculiar, vale a leitura, tenho certeza que você vai se identificar com o Kolya...
Jê, se puder ler...não deixe passar. E Regina, sim, o tempo passa, o homem "evolui", mas parece que os sentimentos e a moralidade não mudam...é algo muito desanimador...
Bj meninas, e obrigada pelos comentários!

R@mon_Vitor disse...

Livro magnifico.
Emocionei-me.

Marcia disse...

Olá, Adriana!

Eu acabei de ler esse livro e achei simplesmente maravilhoso!
Ele estava encostado na minha estante há uns dois anos, e um dia desses estava arrumando as prateleiras e o encontrei.
Virou o meu preferido, daqueles que nunca vou me desfazer!

Bjs,

Marcia

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