O Chá tem tanta resenha que nem dá para contar! Já comentamos tantos livros que os leitores nem imaginam! Nas nossas resenhas, já apareceram novidades que estão sendo publicadas agora, raridades que continuam na moda, e livros tão sensacionais que merecem ser lembrados a todo momento. Como tudo é que é bom tem que se repetir, o blog traz de volta resenhas de sucesso, para que os leitores tenham a oportunidade de ler, ou reler, histórias que já pintaram por aqui. Quem já leu, pode aproveitar para lembrar. Quem não leu, fica com a dica imperdível de mais um livro inesquecível !
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"Confirmado o talento para o retrato psicológico demonstrado em seu premiado romance Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver, em O mundo pós- aniversário, propõe um olhar corajoso sobre as implicações de uma escolha: quem amar. A autora nos envolve em uma história sobre infidelidade, expondo com muita franqueza os dilemas entre a segurança e a paixão, que podem determinar o fim ou o começo de um casamento.
"O Mundo Pós-Aniversário" retrata o relacionamento aparentemente sólido de um casal de americanos radicado em Londres. Ele é um disciplinado pesquisador de um instituto de estudos estratégicos; ela, uma acomodada ilustradora de livros que depara com uma vontade incontrolável de beijar outro homem; um velho amigo do casal, impetuoso jogador de sinuca que figura no topo do ranking do esporte, um dos mais populares entre os britânicos.
Capítulo a capítulo, Lionel Shriver nos oferece desdobramentos do futuro dessa mulher sob a influência de dois homens radicalmente diferentes, e assim escreve duas histórias. A partir daquele único beijo, mostra alternativas de união ou rompimento, e explora as conseqüências e as motivações mais íntimas de uma escolha.
Determinar qual seria o melhor caminho não é óbvio nem fácil, mas a análise dos dois destinos nos quais a autora enreda os personagens e os leitores é memorável. Escrito com a sutileza e a sagacidade que são as marcas registradas da obra de Lionel Shriver, O mundo pós-aniversário é um apelo para aquele "talvez" que intriga e provoca todos nós."
Há anos, Irina e Lawrence passam o aniversário de Ramsey com ele. Herança dos tempos da parceria profissional de Irina com sua ex-mulher, Ramsey, ídolo mundial da sinuca, é um peso para o casal, que se vê obrigado a repetir o ritual anualmente, sem falhar. Intercalando bons e maus aniversários, o compromisso permanece imutável. Lawrence e Irina gostariam que o compromisso acabasse, mas, toda a ética da obrigação social torna impossível que eles abandonem o ritual.
Até que chega o aniversário em que Lawrence está viajando a trabalho, Ramsey está divorciado e Irina se vê obrigada pelo marido a comemorar o tal aniversário saindo com ele. Pensando na situação de Ramsey, na tristeza em passar o aniversário solitário, ela aceita o convite para essa comemoração entre dois amigos.
A partir daí, o livro surpreende, dividindo-se em duas histórias.
Em uma delas, Irina se deixa seduzir por Ramsey e trai o marido.
Na outra, Irina permanece fiel ao marido Lawrence.
Mergulhando no aspecto psicológico dos relacionamentos pela visão de Irina, a escritora constrói duas histórias incríveis. Duas Irinas completamente diferentes habitando a mesma mulher e vivendo duas vidas paralelas.
A Irina que trai é quase uma adolescente. Para ela, Ramsey é um sonho realizado, o "cara" que ela sempre quis namorar, o homem que tira o fôlego, lindo, sexy e rico, que lhe dá o status de mulher de um ídolo, invejada por todas. Essa aventura amorosa é o que move sua vida, cheia de perigos e excitação.
A Irina fiel é uma mulher séria, comedida, econômica, com a vida intelectual ativa, e o aspecto físico em segundo plano. Rotina é o que define seu casamento com o comum Lawrence, e o marido tem o status de melhor amigo e companheiro de uma relação calma, sem surpresas. Adaptada a essa realidade, Irina vive segura e a perspectiva do futuro parece ser somente esperar a velhice ao lado do marido.
O que dita esse livro é a forma como um relacionamento modifica atitudes. O ser humano muitas vezes é definido pela forma como o outro o vê. Exclui-se das fantasias românticas o aspecto da realidade inevitável que atinge todo casal. Vive-se na expectativa de agradar, de ser o que o outro espera. E, da mesma forma, somos conforme o relacionamento nos molda. Em cada interação social, o que aparece é a face que se quer mostrar ao outro. As imperfeições são escondidas e esquecidas em prol da realização da vida romântica ideal. Irina é a prova dessa teoria.
Com cada um dos seus "amados", ela é uma mulher. Mas, inevitavelmente, as duas Irinas percebem que não é somente o desejo que governa o destino. Mesmo decidindo pelo melhor, Irina é sempre surpreendida pelas circunstâncias, que vão modificando ambos os "casamentos", levando por caminhos novos, felizes ou tristes.
Curioso é ver as situações paralelas nas duas histórias, e como cada Irina resolve os problemas e as dúvidas. Nas divagações da personagem, viajamos pela sua mente e até esquecemos que se trata da mesma pessoa com duas vidas.










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