O macado de pedra - Jeffery Deaver

Tema: Romance Policial

Mês: Agosto/210

Título: O macaco de pedra

Autor do livro: Jeffery Deaver

Editora: Record

Nº de páginas: 492




O livro é sobre...

O pano de fundo da história é a imigração ilegal de dissidentes políticos chineses. A missão de despejar a "carga ilegal", a bordo de um navio, em solo americano fica a cargo do Fantasma. Pela alcunha simpática já se sabe: Olha o vilão aí, gente! No entanto, antes que isso aconteça, o fantasma, também conhecido como cabeça de cobra ou contrabandista de imigrantes, se encarrega de explodir o navio com todo mundo dentro. Alguns desses imigrantes escapam com vida. Sorte ou azar uma vez que, agora, a missão do Fantasma é a de matar um a um aqueles a quem chama de porquinhos?

Mas isso já é assunto para o (meu!) Lincoln Rhyme e Cia que, em uma corrida contra o tempo, devem pegar o Fantasma antes que ele elimine as famílias sobreviventes. E se o suspense é de caráter psicológico e com detalhes técnicos da ciência forense, é Rhyme que arregaça as mangas. Não tem para mais ninguém. A limitação física existe, mas a mente irrestrita do cara nos dá a impressão de que se é possível combater um criminoso a distância. Lógico que ele tem uma equipe boa, e Amelia Sachs (Claro, sempre ela!), sua parceira e amante, é MESMO a sua extensão, seus braços, suas pernas, sua força. É ela quem vai a campo cuidar dos detalhes que Rhyme é incapaz de fazer.

É visível a insatisfação de Rhyme por não poder a ver cena do crime in loco e colher suas evidências. Para um policial investigativo aos moldes de Rhyme, deve ser mesmo difícil a abstinência de adrenalina. No caso de nosso cientista criminal, há que se depender de relatórios e mais relatórios para montar um quebra-cabeça complexo. (Para mim isso é tão instigante quanto... ou mais, porque a genialidade sempre está na descoberta daquilo que ninguém foi capaz de ver. Porém, entendo o que Rhyme deve sentir atuando nos bastidores. A glória do palco faz um bem danado).

No caso de Rhyme, não estar é como se estivesse haja vista que a comunicação entre Amelia e Rhyme ocorre numa esfera fora do normal. Quando Amelia adentra a cena do crime e ambos se comunicam, é como se ele se transportasse até lá de quão forte é a sua presença, tamanha é a sinergia existente entre os dois. Mas Rhyme não joga dados, pois sabe que a utopia não dorme. Emoções, fora! Daí o seu caráter rigoroso, e a sua intolerância aos achismos; “Não ache, tenha certeza” poderia ser o lema da vida de Rhyme.

A trama tem muitos pontos altos. Destaco a parceria entre Rhyme e Sachs. Sem soar repetitiva, quero agora fazer uma análise das escolhas do autor que, habilmente, vai retirando as camadas dos personagens aos poucos, a cada livro da série, um bocadinho de seus vieses psicológicos, mentais e emocionais. Ele não nos conta tudo num livro só, portanto, sabemos que a relação de Rhyme e Amelia tende a crescer nos próximos livros da série. Séries têm disso, se tudo é contado e desvendado logo no início, adíos empolgação e fôlego para o restante da saga. Só de acompanhá-los em diálogos em que um sabe de antemão o que o outro irá dizer, pensar e fazer, nos dá pista de quão longe foi sua relação. Estão mais que envolvidos.

Dessa vez, vemos uma Amelia mais sensível ao seu relógio biológico, mais vulnerável ao ponto de correr o risco de deixar sua retaguarda descoberta. Também preocupada com uma possível cirurgia que Rhyme quer porque quer fazer. Por outro lado, Rhyme quer ser um homem completo no que tange a satisfazê-la e também pela frustração profissional , por isso, o seu afã em arriscar-se ser submetido a um procedimento cirúrgico em que a única certeza é o risco de morte.

Agora, pegando a deixa, vou falar de um personagem sensacional nessa história...não, não é Thom! (Fiquei sabendo que ele terá mais destaque em outras sequências). Estou falando de Sony Li. È interessante notar que o personagem cresce aos olhos do leitor à medida que cresce aos olhos de Rhyme. O que foi aquela conversa particular entre os dois? Estou falando especificamente dos conselhos que Sony Li não se furtou a dar a Rhyme com tanto humildade. Não olhou Rhyme como alguém digno de pena, antes disse “Talvez querer andar seja pedir muito”. Dizer isso na lata para Lyncoln Rhyme? Você não está entendendo, meu bem! E ver Rhyme desnundando a sua alma, contando coisas do seu íntimo nunca dantes reveladas? Você não está entendendo, meu bem (²)! Mas, a amizade entre esses dois aí foi inesperada e bonita de se ver. Não é à toa que terminam (ou continuam?) a conversa jogando uma partida de Wei-chi, um jogo antigo e aparentemente simples que significa a arte da harmonia. Para que não haja desapontamentos, eu aviso que mesmo com esse exercício de autoconhecimento, Rhyme continua o mesmo mal humorado de sempre. Ainda bem!

Eu escolhi este livro porque...gosto muito de romance policiais com o kit completo: Seus clichês, daqueles bem cultura de massa, e para tabelar, uma trama bem sustentada como Deaver sabe fazer muito bem.

A leitura foi...viciante. Quando se trata de Jeffery Deaver e a série Lyncoln Rhime, impossível assumir os fatos como certos. Quem é fã da série, sabe o que eu quero dizer. Inevitável: a trama sofre reviravoltas constantes. È Deaver em seu elemento. Tão ilusionista e compulsivo quanto queremos que seja.


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È 5/5!

6 comentários:

Erica Ferro disse...

Nunca li nenhum livro do Jeffery Deaver, mas me parece um grande escritor de romances policiais. E eu adoooro romances policiais! *-*

Gostei da resenha, gostei!

=*

Regina disse...

Não conhecia essa série, mas seu entusiasmo me contagiou! Vou correndo procurar.

bjs

Jeanne Rodrigues disse...

Vivi,

Onde vc descobre esses autores heim?

Confesso que nunca tinha ouvido falar dele e tampouco desse livro com um titulo tão pitoresco.

Resumindo, mais um pra engrossar a lista...hehehehe

Bjos,

Driza disse...

Uau, que comentário, que tudo..

Parabéns Vivi

bjs

Anônimo disse...

Uma dica: leiam a cadeira vazia que faz parte da série lyncoln Rhime

José Antônio (Jam) disse...

Lincoln Rhyme é o personagem mais inteligente da literatura policial contemporânea, pena que foi pouco explorado no cinema. Só me lembro da adaptação do fantástico "O Colecionador de Ossos". Quem sabe um dia, Hollywood irá redescobrir esse "filão". Qto ao "Macaco de Pedra" não conhecia, já Li O Colecionador... e "Cadeira Vazia. Aguardo tbém com expectativa o lançamento para dezembro de Carta Branca, o novo livro do agente secreto 007 que será escrito por Deaver,a pedido dos herdeiros de Ian Fleming.
Parabéns pela página!
Abcs!

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