Longe daqui - Amy Bloom



Nos anos 1920, a jovem Lillian Leyb deixa a Rússia para trás após perder toda a família num sangrento e traumático massacre. Parte rumo à América dos sonhos, mas desembarca num mundo onde é obrigada a dividir pão e repolho com estranhos dentro de um cômodo sujo e apertado. Um dia, após receber a notícia de que sua querida filha Sophie está viva, Lillian retoma o caminho de volta pelo Alasca rumo à Sibéria. Uma jornada de cores e sombras através dos Estados Unidos do começo do século XX. Longe daqui é um romance belo e arrebatador.

“No romance de Amy Bloom, uma frase pode ser mais significativa do que livros inteiros.”
– The New Yorker


Longe daqui de Amy Bloom é inspirado em uma história real. Em uma narrativa pouco usual, vemos descortinar a história de Lillian Leyb uma imigrante judaica que, fugindo do massacre russo em 1924, tenta sobreviver em Nova York.

No romance vemos as palavras se esparramarem incontidas, encorpadas e densas para narrar uma história passada nos tempos modernos mas, impregnada de qualidades épicas com seus ares clássicos e profundos. A autora emprega esses elementos de forma palpável agregando insights psicológicos, muito sexo e um senso de humor essencialmente judaico.

À primeira vista, espantei-me com a fala rápida e conturbada do narrador onisciente. No entanto, é por intermédio dessa onisciência detentora do tempo e da ação da história que ao leitor é possível conhecer os acontecimentos futuros antes mesmo dos personagens. Desse modo, devido à contextura engenhosa do texto, pode-se presenciar a narrativa ativamente. E essa sensação é que me fez, após o estranhamento inicial, descobrir-me imersa nessa história emocionante e dramática.

A odisséia de Lillian é bastante singular, pois, além da travessia física que ela empreende em busca da filha perdida, tem-se a longa perambulação da alma angustiada e anestesiada. Lillian é um personagem muito bem construído, principalmente, no que tange a sua construção psicológica. A ausência de Lillian não é só física, não é somente ditada pela a separação de sua pátria. A ausência de Lillian é sobretudo, psicológica e emotiva. E entendendo isso, é que se pode compreender a anti-heroína, a mulher comum nela representada.

E, se para alguns, assim como eu, as passagens relativas ao sexo e a prostituição pareça ser explorada em demasia pela autora, é preciso, por outro lado, visualizá-las no contexto amplo em que Lillian se situa. Isto é, na perspectiva da irredutível vontade que é maior do que o orgulho humano e o amor próprio. Na perspectiva de um amor incondicional é onde, então, o poder da empatia prevalece. E não se engane, mesmo diante de uma realidade crua e violenta exposta ao longo da narrativa, é plausível que o amor seja encontrado em esquinas improváveis por razões distintas ou por nenhuma razão sequer.

Tais fatores fazem com que se anseie chegar ao final com a expectativa da redenção consagrada, com expectativa da chegada à terra prometida de onde, certamente, procederá a felicidade plena. Mas, o final nada óbvio da história é genial e condizente com o todo, bane as soluções simplistas, ao inserir a ideia de que a jornada da vida nunca se esgota.

Leia o 1º capítulo

10 comentários:

Paulinha* disse...

olha, preciso fazer uma lista com todos os livros q eu quero ler..haha

beiijos, vivi

Driza disse...

Vivi,
Quando lá no começo vc diz que é impirado numa história real já me senti fisgada. Todo o resto foi só pra aguçar o desejo de ler esse livro.
Obrigada pela dica.
bj

Vivi Bastos disse...

Paulinha, eu tenho minha lista publicada no http://wishrepublic.com, ótima memória virtual...rsr porque como não sou nada organizada, se eu anotar minha lista em papéis avulsos, adivinhe? Olá, caos.

Tem o Skoob também...

Quanto ao livro, Paulinha, como sei que você gosta muito de escrever, o estilo da autora é um ótimo aprendizado. Eu sorvi cada linha escrita por ela.

Driza, amiga,segundo Amy Bloom a história é baseada no que seus avós viveram quando da Revolução Russa. O sofrimento deles expresso em um silêncio de anos dizia muito mais do que qualquer palavra que eles pudessem contar acerca do que viveram. Nisso saiu a história de Lillian que evidencia muito bem essa noção do que é estar "longe daqui".

Beijos
Vivi

Regina disse...

Oi Vivi

Amei seu comentário! Me deixou super curiosa a respeito da história e do livro.

bjs

Marcia disse...

Oi, Vivi

Adorei o seu comentário sobre o livro. Eu já tinha visto ele na livraria, mas é diferente quando a gente tem uma opinião de quem leu.
Com certeza eu vou ler e depois passo para deixar a minha impressão.
Bjs

Lili disse...

Mais um belíssimo comentário!!
Engraçado, esse livro me deu medo hauhauhauhua
Será que o seu post não é melhor que o livro Vivi? rsrs brincadeira.
Mas achei a temática bastante forte e não tinha me chamado a atenção até então, mas agora com seu comentário... Me incentivou a colocá-lo em minha wish list rsrs Ai meu bolso!!!

Obrigada amiga ;)
Bjssss
Lili

Aline disse...

Vivi,
adorei o comentário sincero e revelador. Gostei da ideia do livro, deve dar o que pensar durante a leitura.

Bjs

Vivi Bastos disse...

Oi, meninas, caso lêem, me contem...rs

Lili, obrigada pela cutucada...rs taí, defino como uma sensação de estranheza a minha aproximação com o livro. De fato, são expostas condutas moralmente tidas como inaceitáveis que, sem dúvida, confrontam com minha visão de mundo. Mas, Lillian não se pauta pela ética. Aliás, onde está a ética quando, em situações de massacre, os afligidos ficam entregues a si próprios e aos seus próprios demônios? Como julgar Lillian por sujeitar à conduta abjetas na vida? È a pergunta que fiz quando comecei a me chocar com os fatos da vida de Lillian pós-massacre. Eu acredito que não é um livro que agradará a todo mundo, principalmente, pela forma de escrita da autora que é bem incomôda...hehe...mas, o livro tem uma bela de uma lição de vida,Ah isso tem. E qualifico como uma boa leitura pela riqueza do contéudo implícito, subjacente à trama apresentada à primeira vista.Como uma mensagem subliminar, nem tudo é o que parece na história. Sugiro que se faça um teste drive do primeiro capítulo para analisar se bate uma identificação com a escrita que, ao meu ver, é o principal desafio desse livro...rs

Beijos
Vivi

Jeanne Rodrigues disse...

Vivi,

Ótimo comentário e dica anotada...

Bjos,

Carla Martins disse...

To terminando o livrooooo, depois posto uma resenha lá no blog! :)

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