Laços de Pecado – Nora Roberts

capa - laços de pecado Sinopse: Depois de Maggie e Brianna Concannon, protagonistas dos primeiros volumes da Trilogia da fraternidade, agora é a vez de o leitor conhecer Shannon Bodine, talvez a mais audaciosa das irmãs Concannonn. Nora Roberts finaliza sua saga irlandesa, que possui raízes autobiográficas, com um enredo comovente. Bodine abandona sua carreira como artista gráfica numa famosa agência de publicidade em Nova York movida pela descoberta da identidade de seu verdadeiro pai. Relutante, realiza o desejo de sua mãe, já falecida, e parte para o Condado de Clare. Lá encontra, além das origens familiares, seu grande amor.

-*-

Como já surgiu aqui no blog outras opiniões sobre essa trilogia, não sei se vou dizer algo de que vocês já não saibam e nem mesmo sei se alguém ainda aguenta ler outro comentário sobre esse livro. Mas, vou me arriscar e testar a paciência do amigo leitor.

Todo mundo sabe que Nora Roberts é uma grande autora, que as trilogias são seu ponto forte, que seus personagens são inesquecíveis e outras tantas coisas que ditas aqui serão só repetição, o dito chover no molhado. Então, pulando essa parte tão batida, queria falar sobre uma hipótese me levantada em conversa via msn: Nora Roberts é partidária do espiritismo?

Sempre vi aquele toque de magia em seus livros como sendo apenas encanto, um poder latente na alma dos personagens, mas em Laços de Pecado acho que a autora usou a doutrina espírita sim.

O livro conta a história de Shannon, meia irmã de Maggie (Laços de Fogo) e Brianna (Laços de Gelo), que viaja para a Irlanda a fim conhecer a família que só descobriu que tinha quando sua mãe contou a verdadeira história de sua origem.

Lá ela conhece o fazendeiro Murphy e então começa a ter sonhos perturbadores. Sonhos esses que Murphy tem desde criança, e que a partir do momento que colocou os olhos em Shannon, soube ser ela a mulher da sua vida, porque era a imagem dela que ele via quando sonhava.

Esses sonhos são a visualização de uma lenda que conta, em resumo, o seguinte: uma feiticeira que tinha visões foi à Dança (nome dado ao círculo de pedras existente na fazenda de Murphy) comungar com os deuses e lá encontrou um guerreiro ferido. Ela o curou, se apaixonaram e viraram amantes. Mas ele partiu para a guerra e ela lhe deu um broche para prender em sua capa. Ele voltou num dia de tempestade, queria se casar com ela, mas não deixaria de guerrear. Brigaram por causa disso e ele partiu novamente, deixando com ela o broche para que se lembrasse dele até que voltasse. Mas, com o dom da visão ela soube quando ele morreu em campo...

Pois bem, Murphy encontrou esse broche no círculo de pedras e, me parece, esse objeto seria um sinal enviado para comunicar que ele era o guerreiro e Shannon a feiticeira da lenda e assim estavam destinados um ao outro.

Nora Roberts escreveu sempre que era apenas lenda a história do guerreiro e da feiticeira. Por isso não há como afirmar tratar-se de espiritismo, mas que a ideia foi plantada, isso foi.

Doutrinas ou misticismos celtas à parte, desnecessário dizer que a Trilogia da Fraternidade teve um encerramento grandioso.

Shannon, nascida, criada e realizada profissionalmente nos Estados Unidos, tem dificuldades em aceitar que ela e Murphy tenham uma ligação tão forte e nem pensa em mudar de vida por esse amor. Mas, na Irlanda, mais do que família e paixão, ela se reencontra. Ela é uma artista, tem o dom de pintar, porém nunca cogitou viver disso, preferindo ser publicitária em Nova York.

Murphy é completamente apaixonado por Shannon, fica meio abobalhado quando a vê pela primeira vez, mas depois foi tão encantador que chegou a dizer:

- Que possamos ter palavras quentes numa tarde fria, lua cheia numa noite escura e um caminho descendo até a sua casa!

E citou versos:

- “Minha generosidade é tão imensa como o mar, meu amor, bastante profundo; quanto mais dou a ti, mais tenho, pois ambos são infinitos” (Shakespeare).

Murphy não precisou conquistar Shannon, apenas fazê-la ver que se pertenciam. Ela tinha que entender que um não poderia existir sem o outro. Ela tentou resistir, uma luta vã, impossível não se entregar a Murphy. E ele foi paciente, persistente e, claro, triunfante.

Como se só isso não bastasse, ainda temos em grande estilo a participação dos casais do primeiro e segundo livros, agora com o adicional dos filhos.

E se alguém quer saber do que se tratam aquelas reticências no resumo que fiz da lenda vai ter que ler o livro. Shannon descobriu o final e, garanto, é muito bom.

Uma bela história. Uma incrível trilogia! Senti falta de um epílogo, mas a frase final diz muito do que aconteceu depois:

- Vamos para casa Murphy. Vou preparar seu café da manhã.

14 comentários:

Vivi Bastos disse...

Oi, Driza

Muitos autores utilizam suas inclinações religiosas e doutrinárias para contar uma história ainda que sutilmente. Posso citar a Stephenie Meyer e a doutrina mórmom que exerce peso significativo na contrução de Twilight. Assim sendo, a referência mística, no sentido de espiritualidade, tem sido uma constante nos romances contemporâneos porque é um filão rentável. Não sei qual a religião que a Nora professa, se é que professa. Mas, o que você mencionou faz sentido, sim.

O final, em uma análise prévia, é sugestivo, isto é, deixa a imaginação do leitor fluir e isso, para mim, é um ponto positivo.

Beijos
Vivi

Driza disse...

Oi Vivi,
concordo. Dá pra se extrair histórias muito boas usando como base a religião - ainda que implícita -, seja ela qual for.
Quem ganha com isso somos nós, leitores, independente de qual crença temos.

bjs

Aline disse...

Driza,
Lindo comentário. Engrandeceu o livro e a trilogia.
Também achei que ficou deslocado o lance místico do terceiro livro.
Mas, como combina com o país, com a paisagem, aceitei a idéia.
Ótimas as cenas com o Rogan, não???

BJS

Paulinha* disse...

Nora Roberts...adoooro

é Vivi...um dia o coração cai na estrada de novo, mas por enqto prefiro viver minha dor..!
beeeijos

Adriana disse...

Driza!
Eu te disse!
Adorei o comentário. O Murphy é um dos meus personagens masculinos da Nora favoritos, quase empata com o Roarke e com o Rogan...ai, mas tem outros, não posso esquecer do Shawn...do Byron...!

Regina disse...

Oi Driza.

Gostei muito de seu post. Adoro essa coisa de almas gêmeas que se reencontram em várias reencarnações - nas Brumas de Avalon também tem cenas com essa temática e foram muito intensas.

Vou passar esses livros para o começo de minha lista... Essa trilogia está super bem recomendada, e também foi aprovada por minha irmã - que ama a Nora.

bjs

Driza disse...

Oi Aline, Paulinha, Dri e Rê,
Obrigada pelo apoio, meninas!
Muitos bjs

Driza

Lili disse...

Essa trilogia parece relmente ser muito boa...É uma daquelas que a Nora sabe fazer muito bem.
Obrigada pela dica Driza ;)
bjssss

Jeanne Rodrigues disse...

Driza,

Em primeiro lugar, parabens pelo post. Vc esta cada vez melhor... Seus comentários sao profundos mesmo...
Agora so me resta ler os outros livros dessa trilogia que tanto te encantou....

Bjos,

Jullyannah disse...

Olá,

sou leitora assídua de Nora e não é de hoje realmente que ela coloca elementos espíritas em seus livros. O mais mais de todos é Midnight Bayou(em português de Portugal 'O Pântano da Meia-Noite':Declan Fitzgerald há vários anos deseja comprar Manet Hall e finalmente se decide a fazê-lo. Deixa o escritório de advogados em Boston e dedica-se à reconstrução da casa. Dizem que a casa é assombrada e passado algum tempo Declan questiona-se sobre a possibilidade de isso ser verdade. Sente-se cada vez mais angustiado como se na casa reinasse um terror e uma tristeza a que ninguém consegue desvendar. Angelina, a sua bela vizinha, ainda consegue distraí-lo por algum tempo, mas também ela tem uma estranha relação com Manet Hall e para que possam viver em pleno a paixão que os une terão primeiro que desvendar um tenebroso segredo do passado.), onde o tema de reencarnação é super usado.
O livro não foi um dos melhores de Nora na minha opinião, mas eu gostei muito de como ela usou o tema de forma convincente.
Quanto a trilogia da fraternidade eu estou adorando!
To pra ler 'Laços de Pecado' e acho q o que eu mais espero é uma maldade pra mãe de Maggie e Brianna. Ô mulherzinha antipática.

beijos e feliz 2010!

Driza disse...

Oi Jullyannah,

Obrigada pela dica, já estou me coçando de vontade de ler essa história.
Depois volta pra nos contar suas impressões de Laços de Pecado, mas sobre a mãe das meninas.... rssss
Adianto que não gostei!

bjs

Jullyannah disse...

Terminei de ler 'laços do pecado' há alguns dias. Gostei muito...Amei Murphy, quero um desses pra mim. Fiquei irritada com a teimosia de Shannon em aceitar o amor de Murphy. Gostei de rever tds os personagens de novo, principalmente a Maggie, que é a minha favorita das 3. E detestei a resolução da história da mãe delas. Por mim, ela caia ribanceira abaixo e não voltava mais.

beijos

Driza disse...

Oi Jullyannah,

concordo com vc...

bjs

Lizzy disse...

Esse é um dos livros que mais gosto da NR e o Murphy um dos personagens masculinos mais adorados dela! Ele é um encanto.

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