Temporada de Caça: aberta - Sarah Mlynowski


A despeito dos rótulos e dos sentidos pejorativos atrelados à literatura mulherzinha, eu leio Chick-lit. Mas, um adendo, não sou fã convicta. Gosto daqueles que, honrando o gênero que os classificam, investem numa leitura leve com pitadas generosas de humor. Claro está que a pretensão de um Chick-lit não reside em escrever uma literatura substancial. Está mais para consumo e descarte mesmo. No entanto, em qualquer enredo há que se ter a qualidade fundamental de entreter o leitor.

Eu penso que o gênero importa pouco quando o autor é hábil para despertar em mim emoções que extrapolam as linhas escritas na história. Contudo, devo confessar que são poucas as autoras do dito Chick-lit que me mantêm presa aos acontecimentos da trama. E de tanto reutilizar a fórmula clichê da mulher moderna, fashionista, duranga e em busca do homem perfeito (Ah, já ia me esquecendo da infalível técnica "Só-sei-escrever-substantivos-com-hífen"!) é que eu penso que a idéia já anda em farrapos de tão gasta. São as tais das regras que se colam como durepox no estilo a ponto de inibir a originalidade. Eu prefiro ler as excessões, que saem fora do padrão comum, pois, já me cansei.

O que mais irrita em certas autoras do Chick-lit é a insistência em apresentar protagonistas tão absorvidas em si mesmas que beiram a retardação; são sempre recalcitrantes e vivem em autonegação. Que tédio!!!!

Mesmo sabendo que a leitura é critério de gosto pessoal, eu me pergunto, esse gênero tem fôlego ainda? Porque quando comentam a evolução do chick-lit citam-se as autoras pioneiras (Marian Keyes, Helen Fielding) para sustentar a validade do argumento?

Tenho outras tantas questões a serem propostas, mas, para não tornar o post um monólogo, não as formularei aqui.

Além do que esse post foi mais um desabafo e uma deixa para não recomendar Temporada de caça: aberta de Sarah Mlynowski. Jackie, a protagonista, é largada pelo namorado. Na verdade, ele a troca por outra mulher mais bonita e com as pernas saradas. O mundo de Jackie se reduz a chorar as pitangas entre uma possibilidade de um caso e outro com os caras que ela encontra, invariavelmente, no point mais citado da história: O Orgasmo, uma boate que está mais para deflagrar xavecos mornos do que para propiciar o clímax que o nome sugere. O enredo central da trama é esse: Jackie precisa urgentemente de um caso para o bem da sua auto-afirmação. E o final é em aberto, isto é, Jackie não sabe se está à solta ou comprometida. Dependerá dela entender o que significam as passas vermelhas dentro de um cartão enviado por um possível pretendente.

Bem, espero que, antes do cérebro da moçoila virar mousse, ela consiga decifrar o enigma.

E nos agradecimentos, Sarah Mlynowski (a autora) solta a pérola hifenizada: Gostaria muito, muito, muito de agradecer às pessoas que me ajudaram a não me tornar aquela-garota-que-sempre-fica-falando-que-um-dia-talvez-num-futuro-muito-distante-escreva-um-livro.

Com esse recorde do uso de hifens em uma só frase, eu termino meu post por aqui.

10 comentários:

Liliane Cristine disse...

Fiquei com dó de vc amiga. Eu infelizmente, tb tive esse livro (comprado) em minhas mãos....Para ver o quanto ele é i-n-e-s-q-u-e-c-í-v-e-l rsrs, nem lembro da história e protagonistas...

Bjs

Driza disse...

Oi Vivi,
realmente a gente não merece tanto chick-lit de má-qualidade, acabei de ler um... ainda não tive nem ânimo de fazer um post. Eu até gosto do gênero, mas ultimamente só estou dando com os "burros n'água" com esse tipo de livro. Pena!
bjs

Jeanne Rodrigues disse...

Vivi,

É uma pena que esse estilo estar ficando meio perdido...

Obrigada pela sinceridade...

Bjos

Regina disse...

Nunca li nada de chic-lit. Acho que é um estilo literário que nunca me atraiu.
Seu comentário me convenceu a nem procurá-lo.

bjs

Cris Costa disse...

Vivi,
Adorei seu comentário, tão verdadeiro...
Bjs

Anônimo disse...

Ao procurar opiniões de quem ja tinha lido este livro (que até então estava pensando em comprar) me deparei com esse seu comentário maravilhoso, não apenas pelos detalhes, mas também pela clareza na forma da escrita.
Não tenho blog, e raramente acesso algum para pesquisar dicas de livros, mas este concerteza ja está na minha lista de sites favoritos.

espero apenas poder escrever e argumentar tão bem quanto você nas redações que terei que fazer nas provas de vestibulares que estão por vir ano que vem.

Cássia disse...

Queria ter lido esse comentário antes de ter lido o livro...teria poupado meu tempo...rsrs
Adorei esse Blog!!!

Andie disse...

Eu gostei muito desse livro...

gosto é gosto!

bjuss

Thata disse...

"Está mais para consumo e descarte mesmo. No entanto, em qualquer enredo há que se ter a qualidade fundamental de entreter o leitor.

Eu penso que o gênero importa pouco quando o autor é hábil para despertar em mim emoções que extrapolam as linhas escritas na história. "

É delicado mesmo quando se fala algo assim, sem parecer preconceiituosa, tentando expor sua opinião limpa.

"E de tanto reutilizar a fórmula clichê da mulher moderna, fashionista, duranga e em busca do homem perfeito "

Como eu tenho ODIADO isso! Não que eu seja feminista, mas elas parecem ocas! Precisam se amar um pouco mais, para a saúde própria!

E não quero ser puxa-saco mas nem toos escrevem assim com medo de agredir os leitores. Para mim foi um dos melhores post literário que já li, falando como um bo escritor sabe fazer: expressar sua opinião com clareza e força.
parabéns
e sem mais delongas, abraços Vivi!

CCHOCETANDO disse...

Adorei a resenha Vivi!Cristina.

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