Los Angeles

"O sexto romance de Marian Keyes é uma história absolutamente cativante sobre um casamento que deu errado e uma mulher sensível que, subitamente, resolve fazer o que bem entende da vida.
Diferente do resto de sua família, Maggie Walsh sempre foi a irmã mais certinha de todas, em tudo, a santa que andava sempre na linha. Pelo menos até o dia que largou o marido e foi para Hollywood! Em L.A., roupas sofisticadas, pessoas magérrimas e emperequitadas e festas bem freqüentadas são presenças constante, e acreditem: até as palmeiras ao longo das calçadas são magras. Ao se hospedar com a sua melhor amiga, Emily, uma roterista raladora, Maggie começa a fazer coisas que jamais fizera antes, tipo se enturmar com estrelas de Hollywood e até mesmo usar meias-calças na cabeça para firmar o penteado e fazer apresentações de roteiros para produtores de cinema na maior cara-de-pau - e mais, muito mais! Assim, conhece o misterioso Troy, um homem tão antiaderente, que é conhecido como Teflon Humano.
Acompanhe Maggie em sua jornada (de descobertas) com as estrelas dos subúrbios sofisticados de L.A. ao bonzeado deslubrante que só se consegue nas praias da California, engolindo mágoas e, de quebra, muitos martínis, enquanto procura o que realmente quer da vida e qual o verdadeiro motivo de ter pulado fora do casamento."

Los Angeles foi uma compra de impulso, para completar o valor do importantíssimo Frete Grátis! Bendito complemento! Diverti-me da primeira à última página.

Apesar do resumo festivo, o livro dedica-se a explorar a personagem e seus conflitos internos.

À medida que somos apresentados a nova e solteira Maggie Walsh, também conhecemos a sua vida anterior, casada, como Maggie Garvan. E as duas realmente acreditam que são duas mulheres completamente diferentes...

No ínicio do livro, casada há nove anos com Garv, seu primeiro namorado da infância (mas não único), Maggie acredita que sua vida está estagnada. A rotina, permeada de trágicos acontecimentos, impôs-se e o casamento, que já não era muito animado, tornou-se um vazio de emoções. Embrenhada em seus pensamentos e sem perspectivas de provocar mudanças, Maggie não tem tempo de reagir, pois o destino acaba decidindo pelos dois. Um acontecimento revela que o casamento realmente está acabado. E para complicar ainda mais, ela é demitida do emprego. De volta à casa dos pais, rodeada da desajustada família Walsh, ela percebe que precisa tomar atitudes drásticas.

Triste, decepcionada e decidida a se recuperar, Maggie vai para Los Angeles passar uma temporada com sua amiga de infância, a roteirista Emily O´Keefe. Só que, chegando na cidade, nada é o que parece. O universo americano do cinema é uma indústria cruel, que castiga os que tentam viver dela. Emily está falida, cheia de amigos do cinema B, um pouco descontrolada e precisando desesperadamente da amizade e do apoio de Maggie. As duas acabam sendo a tábua de salvação uma da outra. Essa parte da história tem personagens e situações muito engraçadas. Atores frustrados, salões de beleza caríssimos, culto exagerado à vaidade, enfim, tudo combinando com o nonsense da vida de cinema. A temporada em Los Angeles revela-se uma loucura. Maggie decide libertar a devassa-rebelde que, acredita, sempre viveu dentro dela, e toma decisões inimagináveis nos tempos antigos. Tudo para ela entender o que é óbvio para nós leitores desde o começo do livro.

À margem das férias muito loucas, mesclam-se os capítulos da vida antiga de Maggie, seu casamento e seus medos constantes. Conhecemos Garv, o marido de todas as horas, doido para ser pai, e compreendemos como Maggie se sente dentro de um casamento sem filhos, marcado por abortos naturais. Apesar da narrativa mais dramática, a vida antiga de Maggie também tem episódios engraçados, como Cenourinha e Pulinho, os defeitos de Garv, e o caracol que mostra o verdadeiro amor.

Destaque ainda para a família Walsh, sem a presença de Claire e de Rachel, mas com as presenças coadjuvantes imperdíveis de mamãe e papai Walsh, Anna e Helen. Todos animados para conhecer Los Angeles de ponta a ponta, e enlouquecer os pontos turísticos.

Gostei muito do livro. Consegui vivenciar as emoções de Maggie, identificando-me com ela de certa forma. Foi um dos livros da Marian que mais me fez rir, e me fez chorar também. Uma ótima leitura, divertida e sem compromisso, desfrutando somente do prazer de ler.

Degustação:

"Na mesma hora, eu me lembrei de uma conversa que havia tido com minhas irmãs no Natal anterior. Estávamos aprisionadas destro de casa sem nem ao menos um filme do Harrison Ford para distrair nossa mente, e nos vimos especulando sobre o que cada uma de nós seria se fossêmos alimentos em vez de pessoas. Ficou decidido que Claire seria uma tigela de molho ao curry, porque ambos eram picantes e difíceis de engolir, e então Helen decretou que Rachel seria uma boneca feita de jujaba, o que a deixou toda feliz.
- Você diz isso porque eu sou doce? - perguntou ela.
- Não, é porque eu tenho vontade de arrancar sua cabeça à dentadas.
Anna - "Essa é fácil demais", comentou Helen - seria um floco de milho. E eu era "iogurte natural à temperatura ambiente"."

"Todos já ouvimos dizer que os californianos são maravilhosos. Que através de uma combinação de bom padrão de vida, preocupação com a saúde, sol o tempo todo, cirurgia plástica e desordens alimentares, eles são todos magros, musculosos e reluzentes. Ao estender a minha toalha de praia sobre a areia, olhei disfarçadamente para as outras pessoas que estavam na praia. Não havia muita gente - possivelmente por ser dia de semana - mas as que estavam ali já eram em número suficiente para eu confirmar meus maiores temores. Eu era a pessoa mais gorda e flácida naquele pedaço de areia. Possivelmente de todo o estado da Califórnia."

"Eu torcia para que a passagem do tempo cuidasse dos meus medos e eu conseguisse superá-los. Sendo assim, disse a mim mesma que teria um filho quando completasse trinta anos. Em parte, suspeitava que os trinta anos estavam tão distantes que nunca iriam chegar."

"Muitas vezes eu dissera a mim mesma que foi uma pena eu me casar tão cedo, aos vinte e quatro anos, porque isso me privara da experiência de transar sem culpa com um monte de homens misteriosos. Sentia, bem no fundo, que se eu tivesse a chance de exercitar o meu lado selvagem, seia capaz de deixar no chinelo todas as malucas das minhas amigas."

9 comentários:

Liliane Cristine disse...

Aline aguçou minha curiosidade o seu comentário!

Obrigada querida, está na lista!!

Bjs

Driza disse...

Oi Aline
concordo com seu coment.
Eu tb adorei o livro, e ri de novo relendo aqueles trechos.
bjs

Vivi Bastos disse...

Será que devo ler? Ou não devo ler?

Essa pergunta sempre me bate quando o assunto é essa autora. Não sei se algum mistério escondido nas capas de seus livros; se o meu santo não bate com o dela; fato é que até hoje não me senti motivada a ler o que ela escreve...

Contudo, dou muito valor a indicação de vcs, e a dica tá registrada. Eu aposto que as coisas mudem e essa antipatia gratuita seja banida de vez..rs

Bjs

Jeanne Rodrigues disse...

Aline,

Preciso me redimir e ler algo dessa autora...
Seu comentário foi decisivo.

Bjos,

Cris Costa disse...

Aline,
Ainda não li este livro da Marian, mas você me deixou bem curiosa.
Para as que ainda não leram nenhum livro da Marian Keyes, se preparem, não esperem nada muito...(não sei como definir), pois são livros comerciais, bem previsíveis. Em contrapartida são divertidos...

Bjs

Ana disse...

Gostei do livro, mas achei o drama do casamento meio exagerado...
A autora tem outras livros bem melhores...
beijos

dani disse...

Mais um livro da Marion e acabou que já virei fã.Los Angeles é um dos meus favoritos!

Melissa Gregorio disse...

Não curto o estilo chick lit de leitura, mas Los Angeles me surpreendeu... perfeito!

ANA IBIAPINA disse...

Marian Keys surpreende na escrita, com certeza ela não deixa a desejar quando se trata de situações e traça modelos psicológicos perfeitos para um personagem fictício, a questão é a falta de emoção que existe nesse livro, Maggie é tão, tão fria quanto um sorvete, atormentada por decisões passadas que influenciam no seu presente e a perturbam no futuro.A perda do bebê na adolescência transcende as décadas na vida de Maggie Walsh, o casamento não sobrevive as questões emocional dela e do esposo, ela volta para casa da mãe e num impulso resolve passar algum tempo em Los Angeles na casa de uma amiga. Em Los Angeles, ela que sempre fora a certinha das irmãs Walsh começa a agir de forma diferente.
Contudo, a grande sacada desse livro é sem duvida o bom humor.

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