Escrevo esse post com cara de ué. Esse livro me causou muita estranheza. De início porque eu não tenho costume de ler histórias que falem de um mundo tenebroso. Fazer o quê? O que não faço é seguir a linha blasé-cult 100%. Existem coisas que me chocam e, por isso, não vou dar uma de cult bacaninha, não.
Porém, contudo, todavia…eis minha opinião sobre o livro:
O livro traz nove contos que ilustram o sombrio que existe no mais íntimo do chamado sexo frágil: a fêmea da espécie. Não há exceção. Desde uma menina de seis anos até as mais vividas, todas levam também consigo, nas mais profundas camadas de seu ser, a escuridão e o mal. Temos ali uma galeria de mulheres frágeis, até mesmo um tanto ingênuas em estado de surto psicótico apelando para o “olha a faca”. Temos a mulher, a nata da inteligência, que mata por acreditar ser essa a única solução para a sua vidinha insossa; a menininha que sobe no teto da casa, e lá nas alturas morbidamente quer chamar a atenção. Que lambança! O pior é que ela não vai só, lambança sozinha não tem graça. Imagine quem ela leva? Será que eu conto?E o que dizer daquela pré-adolescente com cara de boneca, uma espécie de Lolita Malvadeza? Ai daquele que cruzar o seu caminho! Essa também gosta de crueldade acompanhada. Imagine quem a acompanha quando a sua fúria, encoberta por olhar tão doce, vem à tona? E a desperate Housewife , fome de sexo e paixão, quando fica obcecada com um carinha que ela viu na praia?
Vou parar por aqui…mas, o interessante é que todas as mulheres do livro são comuns, aparentemente pacatas, mas desgostosas com a vida que levam. Por serem tradicionalmente reprimidas, vem a revolta, bastando ser esse o aval para praticarem a mesma brutalidade que aos homens é hipocritamente justificada. Sim, em se tratando de contos de mistério, é de fato uma premissa inteligente. O que incomoda é a maneira superficial com que autora conduz a ação e o destino dessas mulheres revelando um olhar odioso e difamatório acerca do mulherio. A sensação que dá é a de que autora escreve sobre pessoas que ela despreza e de quem não tem a menor consideração. E por isso, tudo soa estúpido.
Para mim o que há são a fealdade e a maldade na forma de violência gratuita. A autora não se preocupa em desenovelar as motivações. As histórias são inexpressivas, um ou outro conto chama à atenção em alguns momentos, porém não a ponto de se tornarem marcantes. Infelizmente, a autora, por seu reconhecimento mundial, não entregou o melhor de sua competência nessa obra. Agora, sim: vou parar por aqui.
Fui.
Mas volto.













Jê está lendo...
Driza está lendo...
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Aline está lendo...
Medéia está lendo...
Paty está lendo...







