BERLIM: 1961 - Frederick Kempe


Berlim, uma cidade dividida. Foi assim que comecei a entender o mundo em que nasci. Um mundo em que dois sistemas lutavam de forma sorrateira para alcançar a superioridade. Um mundo tenso, cheio de espiões.
Esse mundo mudou em 1990, com a queda da URSS, que foi precedida pela destruição do muro que dividia o mundo. Quem não se lembra daquela reportagem do Bial em Berlim no dia da queda? Aquilo me marcou.
Outra marca dessa época, embora eu tenha nascido muito depois desse evento, foi o assassinato do Kennedy, cujo cinquentenário foi lembrado semana passada. Mas JFK era o meu herói. Um presidente novo, galã, casado com uma mulher elegantíssima, e que, no meu imaginário, tinha conseguido superar várias tentativas do eixo soviético para o início de uma guerra nuclear que arrasaria nosso planeta.
Se posso dizer que um livro muda a nossa percepção do mundo tanto em retrospectiva quanto em perspectiva, esse é um ótimo exemplo.
Berlim:1961 trata de forma muito clara e precisa os eventos que antecederam a construção do muro, e traça sob o ponto de vista dos dois lados, as mensagens subliminares que levaram a sua construção, a ausência de reação do mundo ocidental, e suas consequências para o mundo e sua população em geral.
Diversas interpretações errôneas de mensagens trocadas pelos dois líderes mundiais da época, Kennedy e Kruschov, falhas dos serviços diplomáticos, de inteligência e dos principais conselheiros dos dois lados proporcionaram a criação de uma divisão no mundo que durou pelo menos 30 anos, com todos os custos pessoais para diversos cidadãos mundiais. 
Reverberou inclusive aqui nas Américas, seja na crise dos mísseis em Cuba, seja, na minha opinião, nas diversas ditaduras iniciadas na América Latina sob influência da nossa mui querida CIA.
O livro me mostrou muito mais zonas cinzas no mundo do que eu imaginava. Acabou com a ideia de heróis, que eu já replicava para o presidente Obama. As decisões desses homens que de uma forma ou de outra influenciam nossas vidas, são tomadas com base em tantos interesses, com fundamento em situações e fatos, e principalmente na interpretação que alguns dão a tais fatos, e são capazes de lesar ou mudar tudo o que conhecemos.
Kennedy e Kruschov deixaram de ser para mim dois lutadores representando o bem e o mal, mas se tornaram peças num jogo de xadrez jogado a muitas mãos, com muita pressão e interesses não imaginados, e cujos movimentos e xeques levaram ao mundo que hoje conhecemos. Num mundo em que não temos heróis nessas posições.
Seria muito leviano dizer que esse ou aquele personagem seria responsável por essa ou aquela consequência mundial, cada um agiu dentro dos limites de suas possibilidades, equilibrando muitos interesses e limitações inerentes ao tempo em que viveram, hoje temos o conhecimento do que aconteceu depois desses fatos, mas eles, naquele momento, não poderiam imaginar o que o futuro traria.
Um muro, uma cortina de ferro. Muitas famílias destruídas, separadas, várias 'quase guerras'. O fim de uma era. Nessa história, os heróis são os cidadãos comuns que ainda diante das circunstancias adversas tiveram a força e a criatividade para sobreviverem.
 

3 comentários:

Livroterapias disse...

Amo livros históricos!
Com certeza vou incluir este em minha lista
amei a sinceridade na sua resenha!
Beijinhos
Rizia - Livroterapias

Regina disse...

Realmente somos nós cidadãos que pagamos "o pato" pelas atitudes de governantes! Se não for pelos trabalhadores, estudantes e população em geral que levam os países nas costas, não haveria mundo para esses políticos agirem - e é sempre o povo que vem em último lugar na preocupação deles - antes os interesses e aliados e inimigos...

Fiquei realmente curiosa com esse livro, pois se é capaz de nos fazer enxergar a história por uma nova janela deve valer muito a pena!

bjs

Patricia Cardoso disse...

Olá Adriana,
que livro, heim? Fiquei super curiosa em ler o encadeamento em que é dado entre os fatos históricos e a ficção. Gosto muito de livros assim, e a sua resenha está fascinante, muito boa. Bjs!

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