Desafio Literário - Março - Razão e Sensibilidade


Pois então...
Eu tinha escolhido o livro Muito barulho por nada de Shakespeare para ler um clássico.
Primeiro porque já tinha visto o filme e adorei, mas eu não comprei o livro e nem tenho ele para ler.
Baixei então um e-book.
Tristeza... quando vi a tradução deu vontade de chorar. Faltam pedaços (visivelmente) e a tradução é péssima.
Não vi antes então, azar o meu.
Ainda bem que tinha um livro reserva. Um dos meus filmes preferidos que eu ainda não tinha lido.
Razão e Sensibilidade de Jane Austen.
Acredito que foi o destino ler este livro. Era prá ser!

Eu já tenho uma fascinação especial por livros históricos. Se eles se passam na Inglaterra de 1800 é um plus apenas, pois gosto de ler sobre as mulheres desta época.
Imaginem-se vivendo em uma época em que a mulher devia apenas conseguir um bom casamento.
Viver cheia de panos, espartilhos, toucas, aventais. Mostrar recato e ser versada em artes, literatura, desenho, bordado entre outras coisas domésticas.
Jane Austen descreve muito bem estas mulheres falando das Dashwood. 
São 4 mulheres diferentes mas em busca de um mesmo ideal: uma vida boa e feliz.

Sra Dashwood, a mãe, é a segunda mulher de um homem que já tinha um filho homem, e que só lhe deu filhas mulheres. O que será de uma mulher assim se não for a caridade dos parentes ou filhas bem casadas?
A mais nova, Margareth Dashwood pouco aparece na história (que na verdade é sobre suas irmãs), mas ali está ela entre a razão de uma irmã e a sensibilidade da outra.

Mariane é a sensibilidade. Ela acredita em agir com o coração e dar sentimentos a tudo o que faz. 
Mesmo que todas busquem o casamento, ela busca antes de tudo o amor.
Por aquilo que acredita ser amor, ela desrespeita regras sociais, ignora outras pessoas e age conforme seu coração lhe manda.
Apaixona-se pelo mocinho-cafajeste, que não tem fortuna própria e que acredita que não conseguirá viver de amor e uma cabana com Mariane.
Ela tem um admirador no Coronel Brandon,  que transfere para ela um antigo amor perdido na juventude. E este amor se mantém firme, sólido e compreensivo até o final da história.

Elinor e Mariane do filme (1995)

Elinor é minha irmã preferida. Sei que muitas meninas gostam mais de Mariane e seus rompantes, mas me identifico e muito com Elinor. Vive sobre a razão e guarda para si de forma muito altruísta seus sentimentos.
Ela é razão na aparência mas muito sentimento por dentro.
Sofre calada a história inteira por um Edward Ferrars que me parece um mocinho como ela, preso a sua palavra, as suas ações e a sua razão. 
Ninguém parece querer este amor entre Elinor e Edward. A própria Mariane o acha muito pouco apaixonado (e o que a Mariane acha a Sra Dashwood parece achar também). A irmã de Edward, cunhada das Srtas Dashwood, não quer ver nem ouvir falar desta possível ligação, a mãe de Edward também não. Realmente esta história é muito mais forte e bonita que a de Mariane e seu mocinho cafajeste.
Elinor vive como coadjuvante na família. Nada é para ela, tudo gira em função de suas irmãs, em especial Mariane, e de sua mãe. 
Ao contrário da Elinor do filme, ela é ainda muito jovem, apenas 19 anos, e tem a responsabilidade de agir da melhor forma para toda a sua família.

Eu já era encantada com a história do filme, mas devo admitir que prefiro a Elinor e o Edward do livro.
O Edward do filme é um atrapalhado e tragi-cômico mocinho. Ao contrário, no livro, ele mostra responsabilidade de forma séria e tenta sempre agradar a todos.
Elinor, bem mais jovem no livro, mostra um desprendimento e total dedicação aos seus.
Onde os dois pecam então? Por que sofrem? Por não expor seus sentimentos um para o outro, por manter a dúvida em suas mentes até o final (que é uma feliz série de coincidências criadas por Austen).

Eu já tinha lido Orgulho e Preconceito e percebo que Jane Austen escreveu personagens que se repetem. Não no nome, mas na postura e na personalidade. Algumas se misturam, outras se atraem, mas as personagens de Austen são mulheres fortes que lidam com as dificuldades de uma sociedade machista e que conseguem viver boas vidas independente de adversidades e das atitudes dos homens que as cercam. De certa forma, os homens de Jane Austen apenas reagem as atitudes que as mulheres tomam, mas acreditam que eles é que agem e decidem.

Talvez eu esteja sendo confusa nesta resenha, mas é que há uma profundidade muito grande nas personagens de Jane Austen. Só lendo para as conhecer e reconhecer. Não vale a pena apenas. TEM QUE SER LIDO.
As mocinhas não são agressivas, nem as histórias são hots, mas não tem como desgrudar do livro depois de começar a ler.

Se você só viu o filme, vá ler o livro... se nem o filme viu, vá ver e leia o livro.

Eu aplaudo Jane Austen e me penalizo por não existir alguém a altura para continuar histórias tão lindas como esta.


Ah... eu não vi a série (fiquei com vontade mas não pude ver ainda) e pensei que contar com mais detalhes esta história seria injusto com a mesma. Só lendo para sentir de verdade Jane Austen.

13 comentários:

Débora Lauton disse...

Ah, eu amo Jane Austen...
Concordo com você, também prefiro a Elinor e o Edward do livro...
Uma excelente escolha para o mês...

beijos,
Dé...

Manuel Cardoso disse...

"TEM QUE SER LIDO"... tanta gente a dizer isto que vou ter de me render... parece que vale mesmo a pena!

DANY disse...

Eu adoro esse livro, assim como todos os outros da Jane Austen.Mas, ainda não assisti nem o filme nem a serie :(

Bia disse...

Ai, vocês são tão rápidas! Eu ainda nem comecei a ler Os três mosqueteiros!!!

Bjs

Mariana disse...

Ainda não li o livro mas ja ouvir falar sobre...e se depender de tudo o q ouvir dizer sobre autora e título o livro deve ser muito especial mesmo. Ótima escolha...principalmente para o més de março...més da mulher..homenagem a Jane Austen..
abraços

Nanda disse...

Ei Medeia,

Este também é o meu livro do desafio mais ainda não comecei a ler. Estou ansiosa parece ótimo.

bjo

Nathália Neves disse...

Ainda não li nada de Jane Austen, preciso corrigir isso logo! Também adoro livro histórico...
Adorei sua resenha! =)
Beijinhos

Mirelli Lohaine disse...

Tem selinho para vcs lá no blog!
Bjooos

Vivi disse...

bom jane austen é jane austen não precisa de mais nada , amo Persuasão recomendo a todas, a editora landmark tá lançando os livros dela em edição bilingue, achei caprichado, vc le a tradução ou o original no mesmo livro, não sei se já saiu r&s, mas persuasão e orgulho e preconceito já tem

Aurelia disse...

Ótima resenha.Adoro Jane Austin,suas personagens tem força e profundidade, mas são de uma leveza e suavidade que só mesmo lendo para compreender o quanto ela é maravilhosa.
É sempre um prazer visitar esse blog.bjs.

Bianca disse...

Jane Austen é minha preferida. Leiam os livros, vejam as séries, filmes e qualquer coisa baseado em sua obra.
Suas personagens mantém sempre esse ar de fora de sua época, estão sempre acima, não se enquadrando completamente nos perfis femininos da época. Ela realmente faz falta nos nossos dias atuais.

Bianca
http://twitter.com/biancabriones
http://redoma-de-cristal.blogspot.com/
http://www.formspring.me/BiancaBriones

Lili disse...

AH, eu quero muito ler! Ainda não li por ter visto o filme rsrs
Mas vou ler e seu comentário me motivou =)

beijos

Sweet-Lemmon disse...

Sou suspeita pois este é com certeza um dos meus livros favoritos (sim, mais até do que O&P) e concordo com você quanto a preferir Lionor:) Claro, que gostar ou não de um livro é algo muito pessoal mas adorei que vc gostou de R&S :)

Bjos!

Postar um comentário

Muito legal ter você aqui no nosso Chá das Cinco!
Quer deixar um recadinho, comentário, sugestão?
Faça valer a sua opinião! Seja educado(a). Gentileza aqui sempre tem vez. Portanto, mensagens ofensivas não serão publicadas.

 
UM LIVRO NO CHÁ DAS CINCO © 2010 | Designed by Chica Blogger. Personalized by Lili and Medéia| Back to top