O Historiador - Elizabet Kostova



A você sagaz leitor, confio a minha história...

“Certa noite bem tarde, ao explorar a biblioteca do pai, uma jovem encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas estão todas endereçadas a ‘Meu caro e desventurado sucessor’, e a fazem mergulhar em um mundo com o qual ela nunca sonhou – um labirinto onde os segredos do passado de seu pai e o misterioso destino de sua mãe convergem para um mal inconcebível escondido nas profundezas da história.

As cartas fazem alusão a um dos poderes mais maléficos que a humanidade jamais conheceu, e a busca secular pela origem desse mal e sua erradicação. É uma caça à verdade sobre Vlad, o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado gerou a lenda de Drácula. Gerações de historiadores arriscaram reputação, sanidade, e até mesmo as próprias vidas para conhecer a verdade sobre Vlad e sobre Drácula. Agora, uma jovem precisa decidir continuar ou não essa busca – e seguir seu pai em uma caçada que quase o levou à ruína anos antes, quando ele era um enérgico estudante universitário e sua mãe ainda era viva.

O que a lenda de Vlad, o Empalador, tem a ver com o mundo moderno? Será possível que o Drácula mítico tenha realmente existido – e continuado a viver, pelos séculos afora, dedicando-se a seus sinistros objetivos? A resposta a estas perguntas atravessa o tempo e as fronteiras enquanto primeiro o pai, e depois a filha, perseguem pistas que os levam de empoeiradas bibliotecas de universidades norte-americanas a Istambul, Budapeste e os confins da Europa oriental. Em cada cidade, monastério e arquivo, em cartas e conversas secretas, emerge a horrível verdade sobre o feroz reinado de Vlad – e sobre um pacto atemporal que pode ter mantido sua obra viva através dos tempos.

Juntando indícios escondidos e textos até então desconhecidos, e interpretando as mensagens em código enredadas na trama das tradições monásticas medievais – bem como esquivando-se dos adversários que farão tudo para proteger os milenares poderes de Vlad – uma mulher desvenda o segredo de seu passado e enfrenta a própria definição do mal. O Historiador é uma aventura de proporções monumentais, uma narrativa incansável que mistura fato e fantasia, passado e presente, em um estilo de suspense quase intolerável – e impossível de esquecer.”

... porque o mal nunca termina.

Depois de uma orelha destas você realmente tem vontade de ler o livro. E o livro não decepciona. Afinal foram dez anos de pesquisa da autora para escrever as 541 páginas recheadas principalmente de HISTÓRIA.

História com H bem maiúsculo. De invasão otomana à Constantinopla até situações atuais e locais. Pois afinal a história é contada em 3 fases (4 se contarmos o epílogo), toda ela através de cartas escritas de uma geração para a outra, conversas secretas contadas em partes (e nunca depois do sol se pôr) e livros medievais encontrados nas prateleiras especiais das bibliotecas universitárias.

A primeira fase é vivida por Bartholomew Rossi, professor inglês e historiador que mora na América. Durante a década de 30, o professor Rossi encontra entre seus livros um velho e amarelado livro, de aparência medieval, completamente vazio. Há apenas, no exato meio do livro, uma xilogravura com a imagem de um dragão de asas abertas e uma cauda enrolada e das garras pendia um estandarte escrito em caracteres góticos: Drakulia. Depois de realizar uma meticulosa pesquisa, o professor Rossi vai em busca da tumba de Drácula e descobre a possibilidade de que ele ainda viva. Ninguém sabe onde realmente está enterrado o corpo do príncipe Vlad e sua história está recheada de crueldades feitas a seus inimigos e para aqueles que lhe servem. E sua preocupação com monastérios e a sua vida após a morte leva Rossi a descobrir descendentes diretos de Drácula e a se apaixonar.

Paul é um jovem historiador americano que está sendo orientado em sua tese de graduação pelo mesmo professor Rossi, na década de 50. Ele também encontra um livro semelhante ao de Rossi e que teima em ficar com ele (depois de deixá-lo na biblioteca o livro reaparece entre suas coisas). Não é exatamente igual, nem mesmo tem tamanho igual, mas a xilogravura é exatamente a mesma (vê-se por marcas próprias no desenho). Ele também parte em uma busca principalmente depois do professor Rossi sumir após lhe dar cartas escritas por ele na época de sua jornada. Com ele parte Helen Rossi, filha do professor desaparecido, também historiadora. Detalhe: o professor não sabe que tem uma filha. Ela é romena, filha de uma das descendentes de Vlad, o Empalador, por quem Rossi se apaixonou na década de 30.

Esta história é toda contada para a filha de Paul e Helen por seu pai e pelas cartas do professor Rossi e de seu pai, depois que ela descobre o livro na estante e a pesquisa feita. Ela é uma jovem de 16 anos, interessada por história, que não conheceu a mãe, morta quando era pequena. Muito curiosa ela vai desvendando o mistério pouco a pouco enquanto aprende a história da época de Vlad, a história que envolve os países da Europa oriental (alguns comunistas) da década de 30 e pós-guerra na década de 50.

A princípio eu acreditei que Drácula não existia e não ia aparecer no livro, pois os acontecimentos pareciam uma série de coincidências e superstições. Porém, com o passar da história tudo vai se tornando mais claro e a possibilidade de, a qualquer momento Drácula aparecer se torna maior.

O ápice da história é quando Paul e Helen descobrem a descendência de Helen e a paixão que o professor Rossi teve pela mãe dela (uma camponesa romena).
“Vivi os últimos quatro dias no paraíso, e meu amor pelo anjo que o governa parece ser realmente isto – amor”

Outra questão bem interessante é quando Drácula aparece na história. A personificação do mal que só quer manter-se vivo, seja fisicamente ou através de bibliografias e histórias sobre si. Ele me pareceu um ser diabolicamente atraente e que faz as coisas acontecerem. Para mim, tudo o que aconteceu com os personagens, de uma forma ou de outra, foi arquitetado antes por este ser.

Você vai ficar curioso até o final para saber como Vlad tornou-se um vampiro (e vai terminar o livro achando que podia ter sido mais esclarecido). E, é claro, um suspense deste nível vai deixar outro suspense no final.

Só acho que a descendência de Helen poderia ter algo mais a ver com o final e realmente gostaria de mais detalhes de como Vlad tornou-se vampiro. No restante, é uma história fantástica que mistura antropologia, lendas, superstições, romance e história real. Eu li Bram Stoker e gostei bastante, mas este é mais sutil, mais eletrizante e mais fascinante.

Mas se for ler, leia sempre antes do sol se pôr...

Mais um trechinho para as românticas (carta de Paul a Helen):
“Ah, meu amor, queria dizer-te como tenho pensado em ti. A minha memória pertence-te inteiramente, porque volta constantemente, nestes últimos tempos, aos nossos primeiros momentos juntos, a sós. Perguntei-me muitas vezes por que razão não podem outros afetos substituir a tua presença, e volto sempre à ilusão de que ainda estamos juntos, e depois sem querer à consciência de que estou refém da tua recordação. Quando menos espero, sou invadido pela lembrança das tuas palavras. Sinto o peso da tua mão sobre a minha, ambas as nossas mãos escondidas debaixo do meu casaco, o meu casaco dobrado sobre o banco entre nós, a extraordinária leveza dos teus dedos, o teu perfil virado para o lado oposto, a tua exclamação quando entramos na Bulgária juntos, quando sobrevoamos pela primeira vez as montanhas búlgaras.
Desde a nossa juventude, minha querida, houve uma revolução sexual, uma bacanal de proporções míticas que não viveste para ver agora, pelo menos no mundo ocidental, os jovens parecem encontrar-se sem preliminares. Mas lembro-me das nossas restrições com quase tanta saudade como me lembro da sua consumação legal, muito mais tarde. É este tipo de lembranças que não posso partilhar com ninguém: a intimidade que tínhamos com as roupas um do outro, numa situação em que tínhamos de adiar a satisfação plena, a maneira como o despir uma peça de roupa era uma pergunta ardente entre nós, de forma que me lembro, com uma clareza angustiante e quando menos desejo lembrar-me, tanto da delicada base do teu pescoço como da gola delicada da tua blusa, aquela blusa cujos contornos eu já conhecia de cor antes de os meus dedos tocarem o seu tecido ou os seus botões em forma de pérola. Lembro-me do cheiro da viagem de comboio e do sabonete barato no ombro do teu casaco preto, da ligeira aspereza do teu chapéu de palha preta tanto quanto me lembro da suavidade dos teus cabelos, que eram quase exatamente da mesma cor do chapéu. Quando ousávamos passar meia hora juntos no meu quarto de hotel em Sofia antes de descermos para outra refeição soturna, sentia que o meu desejo iria acabar por me destruir. Quando pendurava o teu casaco numa cadeira e a blusa por cima dele, lenta e deliberadamente, quando te viravas para mim com um olhar que nunca se desviava do meu, eu ficava paralisado pelo fogo do meu desejo. Quando punhas as minhas mãos na tua cintura e elas tinham de escolher entre a textura pesada da sua saia e a outra, mais fina, da tua pele, quase tinha vontade de chorar.
Talvez tenha sido então que descobri a tua única mácula o único ponto, talvez, que nunca beijei o pequeno dragão retorcido no teu ombro. As minhas mãos devem ter passado por ele antes de o ver. Lembro-me de que prendi a respiração e tu também quando o descobri e o acariciei com um dedo relutantemente curioso. Com o tempo, o dragão tornou-se para mim parte da geografia das tuas costas lisas, mas naquele primeiro momento veio misturar temor ao meu desejo. Tenha isto acontecido ou não no nosso hotel em Sofia, devo tê-lo sabido mais ou menos na época em que estava a memorizar a borda dos teus dentes de baixo e o seu fino serrilhado, e a pele em volta dos teus olhos, com os primeiros sinais da idade, como teias de aranha...”

9 comentários:

Aline disse...

Gosto muito de livros baseados na História, propondo-se a contar algo que aconteceu, onde os autores se dedicam a pesquisar!
Obrigada pela dica! Anotei e vou ler certamente.

Vivi Bastos disse...

Medéia, excelente comentário. Após, os inúmeros comentários positivos sobre o livro, já tá na minha lista de desejos, uaisô!

Beijos

Driza disse...

Drácula é sempre um grande tema. Seja em livro, em filme e até mesmo na tirinha do jornal de domingo.
Adoro!
bjs

Driza

Regina disse...

Adorei seu comentário e já vou colocar o livro na minha lista de desejos!!! Amo história e um livro que traz história, romances e mitos é um achado.

bjs

Dee disse...

Eu fiquei traumatizada com esse livro. Levei quase 3 meses para lê-lo e fiquei semanas sem conseguir começar outro depois.
Eu simplesmente DETESTEI esse livro!

Srá que fui a única? O.o

Jeanne Rodrigues disse...

Medéia,

Anotadissimo !

Bjo

Mari-SP disse...

Acabei e ler o livro e achei simplesmente fantástico!!
Toques de história, suspense, fantasia na medida certa!!!!!!
Eletrizante!

Beijos

mari

Anônimo disse...

Vi que a Aline está lendo este.
Vale a pena. O trabalho de pesquisa da autora é primoroso. Ela te conduz na aventura com uma tranquilidade que vc se sente companheira de aventura.
Mais um livro sobre vampiros que os coloca no devido lugar de chupadores de sangue malignos. Mas não é apenas um romance e sim uma busca pelas raizes da lenda.
Um livro excelente e sem nenhuma purpurina....
Eugenio

Norberto K Miller disse...

WOW! It is outstanding story which is shared by you really impressive thanks a lot for sharing.

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