O Rapto - Georgina Devon



Meu primeiro livro do Desafio Literário!
Janeiro é o mês do livros de banca, então resolvi escolher algum que fosse histórico. Gosto muito de romances históricos que se passam na gloriosa época em que mulheres vestem vestidos pomposos, freqüentam bailes elegantes e jogam com os homens um jogo de sedução fantástica onde mais escondem do que mostram. Gosto de mocinhas corajosas e destemidas em uma época em que a mulher não pode falar ou agir como quiser. E de mocinhos que pareçam maus, mas que tem justificativa para seus atos aparentemente ruins.
Por isto escolhi este. E o título ajudou na escolha. Fiquei imaginando o rapto.
Não li nenhum resumo antes de começar a leitura, queria estar na expectativa.


Lilith e Perth formam o casal principal desta história. Eles tiveram um romance quando jovens e estiveram a ponto de se casar. Mas para salvar a família, em especial seu irmão Mathias que é viciado em jogo, Lilith deixa Perth no altar e casa-se com um nobre rico. Agora, dez anos depois, ela é uma viúva rica e Perth também é um rico nobre. Ele então resolve raptá-la: talvez para puni-la ou talvez para mostrar a ela o quanto ele ainda mexe com ela. 


Vai o início para vocês lerem...



- Levante e renda-se!

Lillith, Lady de Lisle, reconheceu a voz imediatamente. Jason Beaumair, Conde de Perth. Ela não precisou olhar através da janela da carruagem para visualizá-lo. Taciturno, com frisas prateadas
nas têmporas e cabelo da cor do ébano, ele assombrava os seus sonhos. Uma cicatriz, adquirida em um duelo pela esposa de outro homem, recobria a face esquerda. Ela foi - ou era - tal esposa.

Um calafrio de premonição deslizou espinha abaixo. O que pretendia ele, ao deter a sua carruagem aqui em Hounslow Heath? Decerto não precisava das jóias dela. Era tão abastado quanto um sultão. Que jogo arriscado jogava o conde.

- Ei, cocheiro - ordenou a imperiosa voz de barítono de Perth -, desça com as mãos ao alto e vazias. E você... isto mesmo, você - acrescentou enfático para o único pajem -, largue a pistola ou o cocheiro pagará por seus atos.

Lillith entreabriu a cortina de veludo a tempo de ver o pajem largar a pistola. Perth assentava-se tranqüilo sobre um cavalo magnífico, um revólver em cada mão apontado para o cocheiro. Só mesmo o conde para reconhecer bons cavalos e não se importar com quem mais soubesse que o animal que montava era demasiado elegante para um salteador.

Ao menos, o sujeito usava uma máscara para cobrir o rosto. Acaso a sociedade ouvisse rumores da sua mais recente peripécia envolvendo-a, todos os escândalos de outrora seriam reavivados. Ela não tinha certeza se a própria reputação lograria resistir a outro assalto do conde. A única coisa que preservou seu bom nome da última vez foi a posição social do marido. Ninguém ofendeu De Lisle deliberadamente: o homem conhecia gente demais na corte. Entretanto, como viúva, ela não mais contava com a proteção do marido falecido. E Deus sabe que, se o irmão dela tentasse preservar seu bom nome, ambos seriam escorraçados de Londres sob gargalhadas.

- Você, dentro do veículo - ordenou a voz lânguida de Perth -, saia e fique onde eu possa ver melhor o resultado da minha ação.Ele permanecia arrogante como sempre. Era seu maior defeito e seu maior charme. Ela frustrou-o apenas uma única vez na vida e passou um longo tempo arrependida.

Com um suspiro e um sorriso sutil curvando-lhe os lábios, ela apertou a capa para proteger-se da friagem noturna e desceu. O verão há muito se fora. Uma brisa gélida fustigou os cabelos louros platinados, desfazendo os cachos intrincados nos quais a ama passou tantas horas caprichando. Os pés calçados em babuchas afundaram na grama úmida. O couro fino ficaria manchado. Não importava. Um par de babuchas arruinadas não significava nada. Uma grande fortuna foi o único benefício que ela recebeu por desposar De Lisle.

Ela fez uma mesura brejeira, sem jamais desviar o olhar da fisionomia arrogante de Perth. Ele lançou-lhe um sorriso sinistro, os majestosos dentes brancos reluzentes sob a luz pálida da lua cheia. Houve uma época em que aquela expressão no rosto dele a assustava. Agora a excitava. Ela era uma criança na primeira vez em que o enfrentou, ignorante e facilmente manipulada pela família. Era uma mulher agora, pronta para ele. Os olhos dele cintilaram.

- Venha cá.

Ela retribuiu o olhar sem titubear.

- Acho melhor não.



No início a leitura foi relativamente devagar. O rapto é o ponto de partida da história, e normalmente pareceria romântico ou algo assim. Mas eu não entendi a moral do mesmo. Perth rapta Lilith, que obviamente fez primeiro aquele jogo de “não, por favor” mesmo tendo reconhecido (ele estava de máscara) a voz do seu antigo amor. Ela implora que ele não faça isto, que preserve sua moral, tenta fugir, se machuca, ele cuida dela, blá, blá, blá.


Então ele a leva para um lugar distante onde estão só os dois e um “criado/amigo” de confiança e diz a ela que ninguém vai desconfiar, que a moral dela será preservada porque seu irmão Mathias não deixará ninguém saber e por aí vai.


Mas o que eu não gostei neste início (é minha gente, é só o início) é que ele não explica o porque do rapto. Se é vingança por ela tê-lo deixado literalmente no altar, se é uma forma de aproximar os dois, sei lá.


Eles ficam neste jogo de não contar o que sentem um pelo outro e tem tórridas noites após um jogo de “não quero”, “mas eu quero”.


Ele então a pede em casamento e ela recusa porque acha que ele não a ama e que só quer ficar com ela porque ela pode estar grávida.


A história melhora um pouco a partir do momento em que ele deixa ir.


O irmão dela é o mau caráter da história e faz a coisa ficar um pouco menos morna.


No geral, a título de diversão uma vez que estou em férias, foi um bom passatempo ler, mas não me cativou completamente. Esperava algo mais intrigante, com mais enredo e teias envolvendo esta história.


Esperava uma mocinha mais destemida e um mocinho mais objetivo. E, é claro, uma intriga enorme que levasse a história a um suspense maior.


Você não tem nada para ler e uma tarde livre? Até dá para querer, mas se tiver outro livro, deixa este para o fim da pilha.


Eu com certeza faria a mocinha sofrer mais e lutar mais pelo mocinho. Não tinha nem mesmo uma rival maligna que fosse cúmplice do irmão almofadinha e aproveitador.


4 comentários:

Fernanda disse...

Eu li esse livrinho algum tempo atrás, mas não gostei nem um pouquinho, rs... ;)

Bjos!

Aline disse...

Medéia,

Também li esse livrinho e observei essa mocinha sem atitude! Não gosto de personagem sem sal...

Bjs

Driza disse...

Vixe...
então é melhor passar longe. Que pena, Medéia. Bola pra frente...

bjs

Driza

Jeanne Rodrigues disse...

Medeia,

eu li e tbm achei fraquinho...risos...

Com um titulo desses e essa capa tinha que ser bem melhor...

Etapa do DL cumprida, pena que nao foi the must.

Bjos,

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